Confesso que já ando à uns dias no vai não vai para escrever o que realmente se passa...
E que isso foi o ponto chave da criação deste blog.
Já à algum tempo que pensava em criar um espaço onde pudesse partilhar as histórias da minha vida,mas nunca o fiz...
Entretanto depois aconselhei-me com uma menina de um blog que acompanho : http://pensando-e-falando.blogspot.pt/ e decidi entretanto criar o meu próprio "cantinho" ...
Passo a explicar a história...
Em criança,e apesar de o ambiente familiar não ser o melhor, nunca tive problemas de socialização, era muito desinibida, e falava com toda a gente,até ao dia em que por circunstâncias da vida tive de mudar de casa, de cidade , de amigos, de hábitos...TUDO!
E essa mudança fez-me mudar a mim também.
Aconteceram imensas coisas ao mesmo tempo desde que me mudei, sofri muito com vários episódios nessa altura...
Na verdade, durante esse tempo, nunca percebi que era sério o meu problema, eu achava que agia assim , "porque sim" e nunca dei demasiada importância a isso.
Mas passado todo este tempo e analisando , percebo que isto já vem de muito tempo atrás e que foi um acumular de situações, e isso é assustador, porque leva-me a pensar nas coisas que podia ter vivido e perdi por causa de esta estranha forma de ser.
Digo estranha, porque eu própria me tornei estranha.
E percebi isso muito tarde.
O que basicamente me acontecia era ter "pânico" de pessoas , de muitas pessoas, sítios com muita gente assustavam-me um bocadinho...Mas tentava sempre esconder isso e agia o mais normal possível.
Depois deixei de ter vontade de sair e só queria ficar sozinha,deixei de querer fazer o que mais gostava, e o que me dava prazer fazer antes, começou a ser irritante, não queria nada disso,só queria que me deixassem no meu canto e eu ficava bem.
Haviam dias em que ficava tremendamente triste sem razão aparente, e para compensar essa tristeza comia demasiado para "esquecer".
Pensei imensas vezes que não tinha valor nenhum e que não merecia viver, que já estava farta...
As minhas noites eram horríveis,não conseguia dormir em condições e isso deixava-me doida!
Eu percebia que era diferente, mas só prestei atenção a isso recentemente, quando deixei de ter uma ocupação e aí foi o desastre total. O que dantes acontecia periodicamente, passou a acontecer todos os dias.
Diariamente ouvimos falar de depressão , e de pessoas que sofrem com esta doença. Sim doença. A depressão é uma doença que nos pode incapacitar das mais variadas coisas no dia-a-dia.
Nunca pensei muito nesta palavra, e passava-me ao lado de certa forma...
Claro que tinha noção do que era,e além disso tenho na família uma pessoa com este problema,mas lá está,passava-me ao lado, até ao dia em que percebi que ela tinha entrado na minha vida, mesmo sem pedir.
E aí, foi como se o mundo acabasse ali naquele momento...
Mas o mais estranho é que ela já estava na minha vida há muito tempo, e nunca percebi isso.
Os meus pais ficaram saturados do meu comportamento, e decidiram procurar-me um psicólogo...
Quando ouvi a minha mãe dizer-me que tinha consulta com um profissional, desvalorizei isso,mas no fundo eu queria mesmo ir e precisava.
No dia da consulta,depois de falar com a médica, e explicar-lhe tudo o que me tinha acontecido ela disse-me "Tu estás com uma depressão,tens noção disso?" O que senti? Nada, nesse momento nada.
Cheguei a casa e pesquisei o máximo de informação possível e os sintomas eram iguais aos que eu senti durante longos anos.Chorei tanto nesse dia...
Só pensei " Meu Deus, como é possível eu ter chegado a este ponto?"
E aí temos aquela sensação de "Game Over" e comecei a pensar em comportamentos que tive e que afinal tinham uma explicação...
O problema disto tudo é que sempre tive pessoas que em vez de ajudarem,prejudicavam,sabiam que eu tinha esse impedimento no meu comportamento e pressionavam-me...Ou seja, eu dizia que não queria ir a tal sítio, e era praticamente forçada a ir, e era horrível , porque ganhei medos ainda piores e mais difíceis de apagar.
A nossa cabeça é uma máquina autêntica, nessas alturas, eu sentia-me como um peixe fora de água e só queria sair dali o mais rápido possível, o meu corpo ficava numa temperatura altíssima e chegava a sentir-me "sufocada"...Horrível é a palavra certa.
Fui acompanhada pela psicóloga uns meses, até ao dia em que tive uma crise de ansiedade depois de uns problemas familiares...
Esse dia foi o pior da minha vida.
Fiquei descontrolada emocionalmente, saí de casa sem ter noção do que estava a fazer , foi muito doloroso...Muito.
Felizmente tive quem me "segurasse", e fui ao hospital onde desde esse dia estou a ser acompanhada e medicada por um psiquiatra, que confirmou o que eu tinha.
Passaram 5 meses desde aí e é certo que têm acontecido muitas coisas que tendem a pôr-me para baixo, mas eu tenho de ser forte, e tenho a perfeita noção que isto não vai passar de um dia para o outro...
E depois de todo este tempo todo, o que aprendi é que as pessoas ainda não consideram a depressão uma doença, um problemas grave...
Acham que são birras das pessoas, mesquinhices, tentativas de querer chamar a atenção...
Mas não...
Já disse como me sentia graças a ela e que como eu , 20% dos portugueses sofrem disto, é incrível a quantidade de pessoas a ser acompanhada psicologicamente, das mais variadas idades.
É impressionante porque quando estamos assim não temos controlo sobre nós próprios, é como se fosse uma barreira que estivesse ali a impedir-nos de agir.
E analisando tudo isto e todas estas pessoas com depressão, 80% delas dizem que em vez de receberem apoio, recebem desprezo.
Dizem que notam que ninguém, tem paciência para as entender.
E sobretudo, acham que uma pessoas com depressão é um(a) maluco(a).
Eu própria assumo que é preciso ter paciência para lidar comigo, mas não é um bicho de 7 cabeças também, há dias melhores e dias piores, tal como toda a gente.
E não, não há só dias maus...Tenho sentido de humor, não sou agressiva e nem prejudico ninguém.
Portanto , pensem 2 vezes antes de se "desfazerem" de uma pessoa psicologicamente frágil.
Carinho, compreensão, força e amor é o essencial.
Não acho que tenhas "apenas" uma depressão, acho que sofres de "síndrome de pânico" e que o facto de ninguém perceber isso acabou por te levar à depressão (talvez com outros factores que não foram relatados no texto).
ResponderEliminarÉ horrivel ter medo de tudo saber que o medo não é logico e mesmo assim não conseguir que ele vá embora, é ainda mais horrivel quando as pessoas não percebem isso e acham que és apenas mimada e imatura...
Acho fundamental estares a receber apoio psiquiátrico, porque não são só os "malucos" que precisam dele, as vezes todos precisamos de alguém com quem falar e que nos ilumine o caminho. Nunca tenhas medo do que ai vem, conseguiste chegar até aqui mesmo sem ninguém te ter dado a mão, vão haver dias fantásticos e dias absolutamente desanimadores e quanto a tua mente te pregar uma partida e se encher de medo, escuta o teu coração, no fundo ele sabe que tu conseguirás sempre sair vencedora do que quer que apareça...
Beijinhoooo
Ps - quando o psicologo não estiver disponivel o meu email está lá no blog ;)
Armanda, muito obrigada pelas tuas palavras, e sim ,há muitos outros factores que levaram ao agravamento de tudo isto , e o mal é que passei demasiado tempo sem me tratar ...
EliminarEm relação ao síndrome de pânico , eu concordo,e acho que essa é a definição correcta...Se bem que já mudei muito em relação àquele "medo" que tinha de multidões.Agora já não me sinto tão mal e aos poucos vou aprendendo a lidar com essas situações todas...
Sabes aquele sentimento de leveza e força para continuar? Foi o que senti com as tuas palavras! Muito obrigada, e já apontei o e-mail :p
Beijinho!
Eu ja sabia o que tinhas...
ResponderEliminarNunca te julguei nem recriminei e sempre te apoiei... as vezes nem tanto mas sempre ke posso tento fazer-te sorrir porque tu tens falta de quem apareça do nada e te faça sorrir...
Por isso... mesmo ao longe lembra-te ke aki o teu amigo esta pronto para te fazer sorrir pk es akela pessoa especial ke adoro na minha vida...
amo-te amiga nunca duvides disso... estarei sempre cá pa te ouvir